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Só para constar

Só para constar... Eu não gosto de gente gorda. Atrapalha no ônibus. Ocupada dois lugares ao invés de um só. Ocupa quase o corredor inteiro. Ainda acha que tem razão. Não gosto. Sou magrela mesmo. E me orgulho disso. É da natureza.

Mais uma de escritório

Como uma típica jornalista dura, vou trabalhar todos os dias de tênis e levo o sapato de salto em uma sacolinha fashion que comprei. A sacola já é propriamente fashion para disfarçar o sapato que vai lá dentro. Mas sempre tem alguma mal-resolvida que faz questão de reparar e dissolver toda a boa imagem que você tem. Pessoal mais intrometido. Detesto quando me dizem "Olha, ela leva um sapato na sacolinha de feira!". Sinto que toda a minha elegância vai embora pelo ralo. Pra que ter o prazer de mostrar a todos que você vem trabalhar de ônibus todos os dias? Vamos cada um cuidar do seu próprio rabinho?

Feira trés-chique na Daslu

Era uma feira de artigos para casamento. Era chique, benhê, era na Daslu. E eu só estava lá porque era assessora de imprensa de um dos participantes daquele evento. Quando cheguei, ganhei uma taça muito fina. Estranhei. O que fazer com aquela taça super delicada, o caderno, a caneta e todas as coisas que uma assessora de imprensa carrega na mão? Aí, reparei que ao redor vários garçons estavam servindo champagne. Para isso a taça! Ah, amei. Sou chique, tá? Ao final da noite, eu estava no estande do meu cliente, acabada. Tomando champagne. Chique. Acabada e chique. E várias pessoas (muito mais chiques) estavam conversando ao meu lado. Eu de botuca para escutar, estava sem nada para fazer... _ Ai, e essa taça, heim? Que coisa mais brega! - uma socialite falou para a amiga elegante. _ Pois é, menina. Vou dar para a minha empregada. Ela vai adorar, vai achar "chique". - respondeu. _ Ahahahahahahahahaha! (gole na taça) - a primeira socialite. _ Ahahahahahahhahahaha! (gole na taça)...

O jornal é meu!

Estava eu no ônibus, indo trabalhar. Mas, dessa vez, era em outro lugar, aonde o ônibus ia vaziiiio e eu conseguia sentar, tranquila. Então, todos os dias, eu ia com o caderno que mais gosto do jornal para degustá-lo durante a viagem. Um dia, sentei em um dos bancos, abri o jornal e comecei a ler. Sentaram ao meu lado uma mulher a amiga dela no banco de trás e desataram a conversar. Eu continuei na minha, lendo o meu jornal. Aí, uma delas tirou da bolsa um jornal, esses do Metrô ou esses pequenos que têm por aí. Ela folheou rapidamente, sem ler qualquer coisa. A amiga falou: _ Já que você leu esse jornal, me dá, quero ler. Me dá! – e pegou com força da mão dela. A outra responde: _Tudo bem, eu quero mesmo é ler o jornal dessa menina aqui do lado, ela já tá acabando. A menina do lado, no caso, ERA EU. Eu olhei pra ela, dei aquela estalada na folha do jornal e voltei a lê-lo. Ela insistiu: _ Você está acabando? Eu respondi: _Não porque quando acabar, vou começar a ler o jornal de novo. D...

A deselegante do salão de beleza

Estava eu no salão de beleza, outro dia, tirando a sobrancelha. Como todas aqui, detesto e sinto dor. Mas ok, eu sei lidar com ela e a fico contendo dentro do meu ser. Então, estava sentada na cadeira e a cabelereira estava lá, fazendo seu trabalho. Ao meu lado, estava uma mulher um tanto quanto obesa, esperando outra cabelereira terminar a escova para o final de semana. Aliás, não sei porque esse tipo de pessoa ainda se dá ao trabalho de ir ao salão de beleza porque, querida, não é ele quem irá resolver o seu problema... Eu percebi que ela estava há alguns minutos me observando e não com uma cara muito boa. Então, preparei a minha expressão de insuportável, olhei a ela e continuei lá aguentando a minha dor. De repente, ela vira a mim, com um ar de sabedoria da idade e me pergunta: _ Menina você está sentindo dor assim por tirar a sobrancelha? Você já deu? É virgem? Eu olhei bem séria para essa mulher já com farpas de ódio saindo dos meus olhos e respondi sem pestanejar: _ Olha, querid...

Em um escritório entre tantos na cidade

Essa aconteceu em um desses muitos escritórios espalhados por São Paulo. Estava lá uma moça se sentindo um pouco enjoada por conta de um sanduíche de atum amanhecido na geladeira que ela comeu. Então, ela foi até a caixinha de remédios onde a empresa disponibiliza alguns medicamentos já que a pequena farmácia que mantém em sua necéssaire havia acabado. Ela pega um para curar a sensação horrível e diz ao sujeito responsável pelo controle da caixinha: - Olha, eu peguei um antiácido, ok? - Ué e por que? - ele reponde. - Por que eu estou enjoada. - Enjoada? Mais do que já é?

Folga amiga

Estava eu em mais um dia de trabalho igual a todos os outros quando pula uma janela do MSN na tela. Era uma conhecida. Já adianto que não era amiga porque eu conheço a figura, uma bichinha folgada de doer. Não tenho a menor paciência com gente que acha que eu vim a Terra para servi-lo. - Oi Deia tudo bem? - Oi Fulana. Tudo e você? - Tudo bem também. - Hum... (Nesse momento de silêncio, eu já percebi que algo viria e que não seria boa) . - O que você vai fazer hoje a noite? - (Como eu já sei com quem estava falando) Depende. Acho que vou trabalhar até mais tarde, por que? - Queria te pedir um favor. (Não falei que vinha alguma coisa?) - Diga. - Eu preciso pegar uns documentos na faculdade hoje a noite. (Eu moro a alguns quarteirões da faculdade onde estudamos) . Pensei que você poderia ir até lá para mim, buscar esses papéis, aí, você dá pro seu namorado (ele mora perto da casa dela) e, então, ele me traz aqui em casa. Eu tô com mó preguiça de sair do sofá hoje. - Ah, sim, claro. E vo...