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O jornal é meu!

Estava eu no ônibus, indo trabalhar. Mas, dessa vez, era em outro lugar, aonde o ônibus ia vaziiiio e eu conseguia sentar, tranquila. Então, todos os dias, eu ia com o caderno que mais gosto do jornal para degustá-lo durante a viagem. Um dia, sentei em um dos bancos, abri o jornal e comecei a ler. Sentaram ao meu lado uma mulher a amiga dela no banco de trás e desataram a conversar. Eu continuei na minha, lendo o meu jornal. Aí, uma delas tirou da bolsa um jornal, esses do Metrô ou esses pequenos que têm por aí. Ela folheou rapidamente, sem ler qualquer coisa. A amiga falou: _ Já que você leu esse jornal, me dá, quero ler. Me dá! – e pegou com força da mão dela. A outra responde: _Tudo bem, eu quero mesmo é ler o jornal dessa menina aqui do lado, ela já tá acabando. A menina do lado, no caso, ERA EU. Eu olhei pra ela, dei aquela estalada na folha do jornal e voltei a lê-lo. Ela insistiu: _ Você está acabando? Eu respondi: _Não porque quando acabar, vou começar a ler o jornal de novo. D...

A deselegante do salão de beleza

Estava eu no salão de beleza, outro dia, tirando a sobrancelha. Como todas aqui, detesto e sinto dor. Mas ok, eu sei lidar com ela e a fico contendo dentro do meu ser. Então, estava sentada na cadeira e a cabelereira estava lá, fazendo seu trabalho. Ao meu lado, estava uma mulher um tanto quanto obesa, esperando outra cabelereira terminar a escova para o final de semana. Aliás, não sei porque esse tipo de pessoa ainda se dá ao trabalho de ir ao salão de beleza porque, querida, não é ele quem irá resolver o seu problema... Eu percebi que ela estava há alguns minutos me observando e não com uma cara muito boa. Então, preparei a minha expressão de insuportável, olhei a ela e continuei lá aguentando a minha dor. De repente, ela vira a mim, com um ar de sabedoria da idade e me pergunta: _ Menina você está sentindo dor assim por tirar a sobrancelha? Você já deu? É virgem? Eu olhei bem séria para essa mulher já com farpas de ódio saindo dos meus olhos e respondi sem pestanejar: _ Olha, querid...

Em um escritório entre tantos na cidade

Essa aconteceu em um desses muitos escritórios espalhados por São Paulo. Estava lá uma moça se sentindo um pouco enjoada por conta de um sanduíche de atum amanhecido na geladeira que ela comeu. Então, ela foi até a caixinha de remédios onde a empresa disponibiliza alguns medicamentos já que a pequena farmácia que mantém em sua necéssaire havia acabado. Ela pega um para curar a sensação horrível e diz ao sujeito responsável pelo controle da caixinha: - Olha, eu peguei um antiácido, ok? - Ué e por que? - ele reponde. - Por que eu estou enjoada. - Enjoada? Mais do que já é?

Folga amiga

Estava eu em mais um dia de trabalho igual a todos os outros quando pula uma janela do MSN na tela. Era uma conhecida. Já adianto que não era amiga porque eu conheço a figura, uma bichinha folgada de doer. Não tenho a menor paciência com gente que acha que eu vim a Terra para servi-lo. - Oi Deia tudo bem? - Oi Fulana. Tudo e você? - Tudo bem também. - Hum... (Nesse momento de silêncio, eu já percebi que algo viria e que não seria boa) . - O que você vai fazer hoje a noite? - (Como eu já sei com quem estava falando) Depende. Acho que vou trabalhar até mais tarde, por que? - Queria te pedir um favor. (Não falei que vinha alguma coisa?) - Diga. - Eu preciso pegar uns documentos na faculdade hoje a noite. (Eu moro a alguns quarteirões da faculdade onde estudamos) . Pensei que você poderia ir até lá para mim, buscar esses papéis, aí, você dá pro seu namorado (ele mora perto da casa dela) e, então, ele me traz aqui em casa. Eu tô com mó preguiça de sair do sofá hoje. - Ah, sim, claro. E vo...

Peripécias rodoviárias

Eu vivo umas situações no ônibus que merecem um post. Bom, eu vejo essas esquisitices com mais frequência porque sou obrigada a andar de ônibus todos os dias. Eu juro que não queria! Hoje, por exemplo, eu fiz uma viagem de cerca de 30 minutos junto a uma mulher que tinha certeza que era a Ivete Sangalo. É sério. A dita-cuja foi cantando (em alto e bom som, nota-se) durante todo o caminho. E o pior, a mesma música sem parar. É claro que eu não sabia que música era, mas estava a ponto de decorar. Tenho certeza que era uma dessas porcarias que tocam nas rádios a cada 15 minutos. E ela estava lá, firme nos graves e muito alta nos agudos. A mulher fazia questão de diferenciar cada nota. Quem nunca viajou ao lado de uma pessoa dessas? E, pra melhorar a viagem, o meu MP3 estava sem bateria. Esse aparelhinho me protege dessas agressões sonoras que eu recebo na rua. Mas justo hoje, ele estava sem baterias. É, Murphy. Outro dia da semana passada, eu viajei com uma mulher ao meu lado que usava o ...

O mala no bar

Sábado a noite fui a um bar com alguns amigos. Na mesa ao lado, eu percebi que toda vez que dava um trago no cigarro, o sujeito secava o cigarro. Fingi que não vi. Não deu cinco minutos o fulano me pede o isqueiro. Eu dei. Meia hora depois, me pede de novo. Eu dei de novo. Uma hora depois, mais uma vez. Eu dei, mais uma vez. Aí que eu percebi que o tal, como eu, fuma bastante no bar (ok, até entendo, com a cerveja do lado é automático), só que ele não trouxe o isqueiro dele. Como um fumante sai em um bar paulistano e não carrega o seu próprio arsenal? O sujeito me pediu o isqueiro todas as vezes que precisou acender seus quase 20 cigarros do maço. E, todas as vezes, puxava um assunto furado comigo. Algo do tipo "poxa, de novo, né? rsrsrsrs" e eu "é, de novo" com o meu tradicional olhar de poucos amigos. Ou "olha, vou te comprar um isqueiro novo" e eu "é melhor mesmo". E depois, pior, ele ficou sozinho na mesa. Aí, ele foi ao banheiro, o garçom pa...